“Ai donti bilive in módern lôv”

Com um toque dos seus lábios, solidão

é a própria noite que se instala

e as duas eu recebo em minha casa

pois tenho pronta uma composição

Ainda que este nome pouco lhe caiba

dado que é abertura e multiplicação

muito mais uma isca ou implicação

que uma obra pronta, congelada

O que exponho é o instante anti-fato

a quase constatação

aquele ser borrado por ser multidão

uma possibilidade pré-captação

Minha habitação é no espaço inusitado

é o que não se suspeita, inominado

mesmo que se busque uma direção

meu dedo não trata de refugiados

não me interessa a lamentação

Venha solidão, que a noite é nosso pátio

que não nos falta espaço

de tanto que nos deixam os pares

com sua obsessão-revolução-recomendação-repetição-predestinação-opinião-inquisição-modernização…

O que tenho para nós são minhas víceras

meu próprio definhamento

não que haja aqui qualquer tormento

mas tudo aquilo que precipitas

Não me entende mal quem vê distanciamento

me interessa por demais a vida para que termine interessado

deixo esse tipo de assanhamento para os tarados

e sigo disposto aos encontros lado a lado

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